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Terminal Embraport amplia sua capacidade operacional - 21/10/2009
A entrada da Dubai Ports World (DP World) e da Organização Odebrecht no corpo acionário do terminal marítimo multiuso Embraport, no Porto de Santos, aumentou para 1,8 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) a capacidade operacional anual prevista para a área. O terminal, que também deverá operar 5 milhões de metros cúbicos de granéis líquidos por ano, deverá receber os primeiros navios no primeiro semestre de 2012.
Uma comitiva formada pelos novos sócios visitou ontem o terreno onde será construído o empreendimento, na Área Continental de Santos. Entre os presentes estavam o príncipe dos Emirados Árabes Unidos, xeique Abdullah bin Zayed Al Nahhyan, também ministro de Relações Exteriores do país; o CEO da Dubai World, Sultan Ahmed bin Sulayem; e o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. "Nós acreditamos que vamos nos desenvolver bem e que há um grande potencial a ser explorado aqui", declarou o príncipe. Em seu discurso, ele afirmou que seu país e o Brasil estão "longe demais um do outro, mas com coisas em comum", entre os quais o gosto pela boa culinária. Sultan Ahmed, CEO da Dubai World, declarou que a empresa procurava há cinco anos uma área propícia para a construção de um porto no Brasil. "E vamos desenvolver do nada. Isso é bom, porque poderemos fazer como quisermos".
De acordo com ele, a estratégia de expansão da empresa, que está presente em 52 portos em todos os continentes, está focada atualmente nos países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil. É certo que a empresa árabe, terceira maior operadora de terminais de contêineres do mundo, com mais de 46 milhões de TEUs movimentados no ano passado, irá interferir no projeto Embraport. Tanto que o porta-voz do grupo, o presidente da Odebrecht Investimentos em Infraestrutura, Felipe Jens, sequer sabe o volume de investimentos que o empreendimento receberá. "Eles (DPW)têm umknow-how muito grande. Uma vez que entraram nesse projeto, fizeram uma série de sugestões de melhoria operacional que nós, como investidores, obviamente tivemos todo o interesse em levar adiante", declarou. Sem explicar que modificações foram essas ou se elas irão efetivamente encarecer a obra, Jens afirmou que até o final do mês a nova modelagem será concluída e apresentada aos demais sócios para aprovação. Segundo ele, as obras civis serão iniciadas no primeiro trimestre do ano que vem. As características físicas do terminal deverão ser as mesmas apresentadas ao público quando apenas a Coimex controlava o projeto. Serão 1,1 quilômetro de cais linear (3 berços pós-Panamax), 803 mil metros quadrados de área total, armazéns, dois píeres de atracação, pátio ferroviário e um pátio de estacionamento para carretas.
A composição acionária do Embraport ficou assim: 33% para o Fundo de Investimento do FGTS (Caixa Econômica Federal); 12,7% para a Coimex; e o restante, dividido entre DPW e Odebrecht. A comitiva estrangeira foi recebida pelo ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito (PSB-CE); pelo presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Serra; pelo prefeito de Santos, João Paulo Papa (PMDB-Santos); e pelo deputado federal Márcio França (PSB-SP).
Brasil receberá US$ 3 bilhões
O ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito, disse que o Brasil atrairá US$ 30 bilhões em investimentos estrangeiros até o final deste ano em diversas áreas, incluindo a portuária. Entre os aportes está o da Dubai Ports World, dos Emirados Árabes Unidos, que comprou parte do terminal Embraport. O valor do negócio não foi divulgado. "Este aqui é o primeiro de muitos investimentos dos Emirados Árabes Unidos no Brasil. O Brasil é um país amigo e aberto aos novos investidores", declarou.
Instalação contratará mil profissionais
Para que entre em operação, o terminal Embraport demandará a contratação de 1.000 pessoas, entre mão de obra vinculada e trabalhadores portuários avulsos. Outros 4.000 empregos indiretos serão gerados pelo empreendimento, que garantirá ao município de Santos a arrecadação de R$ 19 milhões em tributos por ano. Os empreendedores calculam que a injeção de divisas na economia da Baixada Santista será de R$ 55 milhões, especialmente com o pagamento de salários e encargos trabalhistas. Para o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, o terminal marca o início da exploração portuária da Área Continental da Cidade. "É o primeiro empreendimento econômico importante desta área de Santos. Há três décadas se discute isso e hoje sabemos que o futuro do Porto de Santos é aqui". Papa destacou que o projeto, que foi objeto de estudos ambientais por quase dez anos, é também um "divisor de águas que abre caminhos para que a expansão portuária seja feita com sustentabilidade". Segundo o prefeito, o licenciamento ambiental do Embraport, requerido pela então controladora majoritária Coimex, demorou oito anos para sair.
A Tribuna de Santos
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